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Em 4 de maio de 2026, cerca de 3 mil investidores acordaram sem acesso ao aplicativo da Naskar, sem retorno de mensagens e com a certeza crescente de que os recursos — estimados entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão — haviam desaparecido. Nenhuma comunicação prévia. Nenhum aviso.
O que viria depois foi uma sucessão de versões contraditórias, uma suposta “perda na base de dados”, uma “venda” para uma gestora americana sem rastro nos registros regulatórios e, ao final, a abertura de apuração formal pela Polícia Civil do Distrito Federal.
Toda fraude financeira pode ser analisada a partir de três perguntas fundamentais: o que está sendo prometido, quem está prometendo e como o dinheiro é utilizado? No caso da Naskar, as respostas são reveladoras.
A fintech captava recursos de pessoas físicas por meio de contratos de mútuo, prometendo rendimento mensal fixo entre 1,5% e 2,5% — equivalente a até 175% do CDI, em um patamar que nenhuma gestora legítima sustenta por período prolongado. Um único empresário aportou R$ 3,9 milhões. Um bancário, R$ 2,3 milhões. Um aposentado, R$ 1 milhão.
A pergunta mais relevante, porém, é anterior a qualquer análise de rentabilidade: a operação tinha autorização do Banco Central ou da CVM para captar recursos do público? A resposta, agora confirmada pelos próprios reguladores: não.
A Naskar nunca obteve registro no Banco Central nem na CVM. Operou por anos, abriu filiais em ao menos quatro capitais e processou transações via PIX por meio de uma parceira — a 7Trust Finance, instituição de pagamento que, segundo comunicado do próprio Banco Central (Comunicado 44.862, de março de 2026), nunca obteve autorização definitiva para funcionar.
Documentos da Junta Comercial de São Paulo (JUCESP) revelam uma sequência de movimentos societários nos dois meses anteriores ao colapso que os magistrados paulistas já descreveram como indícios de blindagem patrimonial.
Em março de 2026, a Naskar mudou a razão social de “Instituição de Pagamento” para “Gestão de Ativos”. Em abril, retirou as atividades financeiras do objeto social. No mesmo dia em que enviou uma nota corporativa alegando “perda na base de dados”, dois dos três controladores abriram novas empresas com capital de R$ 10 mil cada — registradas pela mesma contabilidade, no mesmo dia.
A sede oficial da empresa havia sido abandonada meses antes. Clientes que tentaram localizá-la encontraram um endereço vazio.
Dois juízes do Tribunal de Justiça de São Paulo já determinaram o arresto de contas e imóveis ligados aos controladores da fintech, reconhecendo, em cognição sumária, indícios de golpe financeiro estruturado.
As decisões determinaram bloqueio via Sisbajud sobre as contas da Naskar, da 7Trust Finance, da Next Holding e dos três sócios, além do arresto de sete matrículas imobiliárias em cartórios de São Paulo, Carapicuíba e Jundiaí.
Os controladores identificados pelo Banco Central são Marcelo Liranço Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato — este último, ex-atleta de vôlei e ex-apresentador da ESPN Brasil. A estrutura societária inclui ainda a Family Office Daytona e a Next Holding Financeira, ambas no centro das teses de confusão patrimonial levantadas pelos advogados das vítimas.
Em 14 de maio, os sócios anunciaram a venda do grupo para a Azara Capital LLC, gestora americana que prometia assumir os passivos e devolver os recursos. O comprador declarado — um empresário de 25 anos, com renda declarada de cerca de R$ 1,7 mil mensais e dezenas de protestos ativos — não possui registro em nenhuma base regulatória americana consultada.
Para os advogados que atuam pelo lado dos investidores, o anúncio funcionou como instrumento de contenção de novas liminares. Quem pausou as medidas cautelares com base nessa promessa assumiu um risco concreto.
Se você investiu na Naskar e foi afetado pelo bloqueio de saques ou pela interrupção dos pagamentos, alguns pontos merecem atenção imediata:
Procure um advogado de sua confiança para conhecer seus direitos.
Reconhecido como uma das principais autoridades em fraude financeira no Brasil, Jorge Calazans e o escritório Calazans e Vieira Dias Advogados se destacam por sua defesa intransigente dos direitos dos investidores e na recuperação de ativos em casos complexos de fraudes, incluindo pirâmides financeiras e esquemas Ponzi.
Caso necessite de algum esclarecimento, ou conhecimento a respeito de algum caso que atuamos. Entre em contato conosco.
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Tire suas principais dúvidas sobre nossa atuação na defesa de vítimas de fraudes financeiras.
Atuamos em casos envolvendo pirâmides financeiras, falsas corretoras, esquemas de investimento, fraudes com criptoativos, bloqueio de saques, intermediação irregular e outras operações que possam ter causado prejuízo a investidores.
Cada caso precisa ser analisado individualmente. A atuação jurídica pode envolver identificação dos responsáveis, preservação de provas, rastreamento patrimonial e adoção das medidas judiciais cabíveis, sem qualquer promessa de resultado.
Contratos, comprovantes de transferência, extratos, conversas por WhatsApp, e-mails, prints da plataforma, materiais de divulgação e qualquer documento que demonstre o investimento realizado e a comunicação com os envolvidos.
Sim. O atendimento pode ser realizado de forma online, permitindo a análise do caso e o acompanhamento jurídico de vítimas localizadas em diferentes estados do país.
O prazo pode variar conforme a complexidade do caso, a quantidade de envolvidos, a existência de bens localizáveis, a fase processual e a estratégia jurídica adotada. Por isso, a análise técnica inicial é fundamental.