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Caso Naskar: delegado afirma que interrupção dos pagamentos foi planejada há um ano

Delegado da PCDF revela que o golpe da fintech Naskar foi planejado. Entenda o caso e o que investidores lesados podem fazer.

A investigação sobre a fintech Naskar Gestão de Ativos ganhou um novo capítulo. Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, o delegado Henry Galdino, diretor da Divisão de Falsificação e Defraudações (Difraudes) da Polícia Civil do Distrito Federal, afirmou que a paralisação repentina dos pagamentos aos investidores não foi um desacordo comercial isolado. Segundo ele, houve planejamento, e os indícios apontam que a preparação para o desaparecimento dos recursos começou pelo menos um ano antes do colapso.

A Naskar operava há 13 anos e havia acumulado a confiança de milhares de clientes, movimentando valores que somam quase R$ 1 bilhão. O caso chama atenção justamente por esse histórico: diferente de esquemas que colapsam rapidamente, a empresa manteve pagamentos regulares por mais de uma década antes de parar de honrar seus compromissos.


O que a investigação da PCDF revelou até agora


De acordo com Galdino, ainda não é possível afirmar com certeza se a Naskar operava como uma pirâmide financeira clássica. O que a apuração já conseguiu estabelecer é que a interrupção dos pagamentos, prevista para o dia 4 de maio, não decorreu de um problema pontual de caixa. Houve preparação prévia, “em razão de alguns motivos que ainda estamos apurando”, nas palavras do delegado.

Três sócios foram presos: Rogério Vieira, José Maurício Volpato e Marcelo Liranco Arantes. Nenhum deles falou à polícia após as prisões. Diante do silêncio, a investigação segue com base em outros elementos de prova, como o conteúdo de celulares apreendidos e documentos contábeis. Questionado sobre uma possível liderança entre os três, o delegado apontou Rogério Vieira como o sócio de maior influência sobre o grupo, por deter mais conhecimento técnico sobre a operação.


Como a promessa de retorno sustentou a confiança por anos

 

Um dos pontos que merece atenção de quem avalia esse tipo de operação é a estrutura da oferta. A Naskar prometia retorno de 2% ao mês, quase o dobro da média praticada por investimentos tradicionais no mercado. Na prática, um investidor que aplicasse R$ 1 milhão receberia R$ 20 mil mensais, enquanto a empresa ficaria responsável por administrar o patrimônio investido.

O próprio delegado destacou esse ponto como um sinal de alerta relevante: “é importante esclarecer aos investidores que sempre desconfiem de falsas promessas. Não existe almoço grátis, não existe milagre. Se prometem o dobro da média de ganhos do mercado, é preciso desconfiar.” A recomendação vale para qualquer oferta de investimento que prometa retorno muito acima do praticado pelo mercado regulado, especialmente quando a empresa que oferece o produto não está submetida à supervisão de órgãos como o Banco Central ou a CVM.

A tentativa de venda para a Azara Capital e as inconsistências encontradas

 

Depois que o aplicativo da Naskar parou de funcionar, em 6 de maio, e a empresa mudou de endereço sem avisar seus clientes, veio um novo capítulo. Cinco dias após a repercussão do caso, a Naskar anunciou que havia sido comprada por uma suposta empresa norte-americana chamada Azara Capital, por R$ 1,2 bilhão. A Azara ficaria responsável por ressarcir os investidores a partir de 18 de maio. Isso não ocorreu.

 

A checagem sobre a Azara Capital revelou diversas inconsistências: o site da empresa não informa nomes de presidente, diretores ou qualquer responsável; o endereço físico declarado fica em Miami, mas a localização no Google Maps corresponde a uma agência do Ocean Bank, instituição financeira sem qualquer relação divulgada com a Azara; o perfil da empresa no Instagram havia sido criado apenas três meses antes do anúncio da compra. Esse padrão, de uma estrutura recém-criada e sem identificação de responsáveis assumindo o compromisso de ressarcimento, é um elemento que costuma aparecer em esquemas de fraude para adiar cobranças e dificultar o rastreamento de responsabilidades.

Sobre a eventual participação do empresário Douglas Silva de Oliveira, que chegou a publicar um vídeo se comprometendo a pagar os valores devidos, o delegado informou que a investigação ainda não reuniu elementos suficientes para comprovar seu envolvimento no esquema.


O que os investidores da Naskar devem saber

 

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) atua em conjunto com a PCDF na tentativa de rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro dos investidores e recuperar valores. Segundo o delegado, bens já foram bloqueados, mas ainda não é possível dimensionar quanto será efetivamente recuperado nem em que medida isso poderá ressarcir os prejuízos.

Para quem investiu na Naskar, o momento é de reunir toda a documentação disponível: contratos, comprovantes de aporte, extratos de rendimentos e qualquer comunicação recebida da empresa ou de terceiros relacionados, incluindo os anúncios sobre a Azara Capital. Esses documentos tendem a ser relevantes tanto para a investigação penal em curso quanto para eventuais medidas judiciais de recuperação de ativos.

Procure um advogado de sua confiança para conhecer seus direitos.

Dr. Jorge Calazans

Dr. Jorge Calazans

Reconhecido como uma das principais autoridades em fraude financeira no Brasil, Jorge Calazans e o escritório Calazans e Vieira Dias Advogados se destacam por sua defesa intransigente dos direitos dos investidores e na recuperação de ativos em casos complexos de fraudes, incluindo pirâmides financeiras e esquemas Ponzi.

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