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Ataque à Binance: o que se sabe sobre os US$ 6,3 bilhões levados e o que muda para quem tem criptomoedas

Logotipo da Binance em tela com gráfico de candles de criptomoedas em queda e alta
A Binance diz que cerca de US$ 6,3 bilhões foram levados em um ataque. Veja o que se sabe, o que ainda é incerto e como evitar golpes de falso reembolso.

Por Equipe Editorial CVD. Revisão jurídica: Calazans & Vieira Dias Advogados, OAB/SP. Publicado em: 30/10/2026 · Fontes verificadas até: 30/10/2026 (cerca de 11h, horário de Brasília) · Última atualização: 30/10/2026. Esta página é atualizada conforme novos fatos forem confirmados.

Na noite de quinta-feira, 29/10/2026, a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, informou que sofreu um ataque em que cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos (algo em torno de R$ 33 bilhões) foram retirados de suas carteiras sem autorização. É o maior roubo de criptomoedas já registrado, segundo a imprensa. A empresa suspendeu os saques, diz que os fundos dos usuários estão seguros e promete cobrir todas as perdas, e a investigação segue em andamento.

Este artigo reúne o que está confirmado, o que foi declarado pela empresa, o que é atribuição de terceiros e o que ainda ninguém sabe. Quando houver fato novo, a página será atualizada.

Ficha do ataque

EmpresaBinance (plataforma global de criptomoedas). A pessoa jurídica que atende cada país e a situação regulatória no Brasil não foram verificadas neste artigo
DataQuinta-feira, 29/10/2026. Segundo o Livecoins, as saídas começaram às 20h05 (UTC), 17h05 em Brasília, em 10 redes blockchain
ValorCerca de US$ 6,3 bilhões, segundo a Binance. A TRM Labs registrou cerca de US$ 6,36 bilhões. A Arkham, segundo o Livecoins, associa quase US$ 6 bilhões a 55 endereços
CongeladoCerca de US$ 3 bilhões, segundo a Binance, dos quais mais de US$ 2,3 bilhões pela Tether e pela Circle, segundo a Reuters
Como começouNotebook comprometido de um engenheiro, segundo a investigação inicial. A Binance depois informou outros pontos de invasão
AutorSem atribuição oficial. TRM Labs e Chainalysis apontam a unidade TraderTraitor, ligada à Coreia do Norte
SaquesSuspensos. A Binance projeta retomada gradual em até 48 horas, a partir de 30/10/2026
Última verificação30/10/2026

Neste artigo

Resumo em quatro respostas · O que aconteceu na Binance? · Como o ataque começou? · Quanto foi levado e quanto foi congelado? · Quem está por trás do ataque? · O que a Binance diz sobre o dinheiro dos clientes? · O que ainda não se sabe? · Golpes que aproveitam o ataque · O que a regulação brasileira diz sobre a guarda dos ativos? · O que fazer agora? · Perguntas frequentes

Resumo em quatro respostas

O que aconteceu? A Binance informou um ataque com saída de cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos na noite de 29/10/2026, o maior já registrado no mercado de criptomoedas.

O dinheiro dos clientes está seguro? A Binance afirma que sim e diz que cobrirá todas as perdas com recursos próprios e o fundo SAFU. Os saques estão suspensos, com retomada projetada em até 48 horas.

Quem fez? Não há atribuição oficial. Empresas de análise de blockchain apontam um grupo ligado à Coreia do Norte, mas a Binance não confirmou.

O que fazer? Usar só os canais oficiais, desconfiar de falsos reembolsos e guardar os comprovantes de saldo e de operações.

O que aconteceu na Binance?

A Binance publicou um comunicado na noite de 29/10/2026 sobre um incidente de segurança. Segundo o Livecoins, as saídas de ativos começaram às 20h05 (UTC) e a maior parte ocorreu em cerca de 20 minutos, distribuída por 10 redes blockchain. A empresa suspendeu depósitos e saques como medida de segurança e acionou autoridades e empresas de inteligência em blockchain.

Na manhã de 30/10/2026, a Binance informou que os depósitos voltaram a funcionar, enquanto os saques seguem pausados até o reforço do serviço de saque e dos controles de endereços. Segundo o Correio Braziliense, a empresa também revogou as autorizações dos endereços afetados e prometeu um relatório técnico detalhado e uma prova de reservas atualizada.

Como o ataque começou?

A investigação inicial, divulgada pelo co-CEO Richard Teng, apontou o notebook comprometido de um engenheiro de infraestrutura como possível ponto de partida. A partir dele, o invasor teria acessado um serviço da plataforma e enviado saques não autorizados, conforme o InvestNews. A Binance disse não ter encontrado, até agora, evidência de vazamento das chaves privadas das carteiras (as senhas que controlam o acesso aos criptoativos).

Em atualização posterior, a empresa afirmou que a apuração encontrou pontos adicionais de invasão e que se trata de um ataque complexo, segundo o relato da Al Jazeera com informações da Reuters. Teng disse que a investigação não atribuiu responsabilidade a nenhuma pessoa. O ex-presidente da Mt. Gox, Mark Karpeles, disse à Reuters que os invasores provavelmente tiveram acesso às chaves de pelo menos duas carteiras, o que diverge da posição da Binance e ainda não foi confirmado.

Quanto foi levado e quanto foi congelado?

A Binance estima o impacto em cerca de US$ 6,3 bilhões e avisa que o valor pode crescer. A TRM Labs contabilizou cerca de US$ 6,36 bilhões. Outras estimativas divergem: a Exame cita rastreadores que falam em US$ 5,5 bilhões a US$ 5,8 bilhões. Por isso, o valor final ainda é incerto.

Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados, segundo a Binance. A maior parte são stablecoins (criptomoedas atreladas ao dólar), bloqueadas por suas emissoras: mais de US$ 2,3 bilhões pela Tether e pela Circle, segundo a Reuters, e cerca de US$ 200 milhões pela Ripple, segundo a co-CEO Yi He. A Binance não informou o paradeiro dos cerca de US$ 3,3 bilhões restantes.

Quem está por trás do ataque?

Não há atribuição oficial de nenhuma autoridade. A TRM Labs e a Chainalysis, duas empresas de análise de blockchain, avaliam com “alta confiança” que o ataque foi feito pela TraderTraitor, unidade ligada ao grupo Lazarus e à Coreia do Norte, a mesma que o FBI apontou no roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão da Bybit, em fevereiro de 2025. A Binance não confirmou essa atribuição, e a Coreia do Norte costuma negar acusações desse tipo.

A atribuição é uma avaliação técnica de empresas privadas, e não uma conclusão de investigação oficial. Segundo o Livecoins, alguns analistas duvidam dela, porque o grupo costuma movimentar e lavar os fundos mais rápido do que o autor deste ataque tem feito.

O que a Binance diz sobre o dinheiro dos clientes?

A Binance afirma que os fundos dos usuários estão seguros e que “os usuários não arcarão com o impacto financeiro deste incidente”, conforme o comunicado reproduzido pela Exame. A empresa diz que reservou mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir as perdas, sendo cerca de US$ 5 bilhões nas mesmas criptomoedas levadas e o restante em compras no mercado, o que pode levar mais tempo para ativos de menor liquidez. Esse valor não inclui os fundos congelados, ainda em verificação.

O SAFU, fundo de emergência criado em 2018, tem em torno de US$ 1 bilhão a US$ 1,2 bilhão em bitcoin, segundo a imprensa, bem menos que o total do ataque. A cobertura integral depende, portanto, dos recursos próprios da empresa. Tudo isso são declarações e compromissos da Binance. O que de fato será pago e quando só poderá ser conferido nos próximos dias.

O que ainda não se sabe?

Ainda não se sabe para onde foram os cerca de US$ 3,3 bilhões não congelados, qual será o valor final do ataque, como exatamente o invasor chegou às carteiras e se houve acesso a chaves privadas. Também não há confirmação oficial do autor, nem data certa para o relatório técnico e para a prova de reservas atualizada. E falta ver se a retomada dos saques acontecerá no prazo anunciado.

Golpes que aproveitam o ataque

Notícias assim costumam ser usadas por golpistas. O Livecoins alerta para falsos links de reembolso e perfis que se passam pela empresa. Mensagens que pedem senha, código de verificação em duas etapas, frase de recuperação da carteira ou o pagamento de uma taxa para “liberar” ou “devolver” valores devem ser tratadas como tentativa de golpe. Os comunicados da Binance reportados pela imprensa não mencionam cobrança de taxa nem pedido de dados de acesso.

O cuidado vale para qualquer pessoa que tenha saldo na plataforma. Acesse somente o aplicativo e o site oficiais, digitando o endereço, e desconfie de contatos que chegam por mensagem, e-mail ou redes sociais oferecendo ajuda com o ataque.

O que a regulação brasileira diz sobre a guarda dos ativos?

No Brasil, a Lei 14.478/2022 criou o marco legal das prestadoras de serviços de ativos virtuais. Em 10/11/2025, o Banco Central publicou as Resoluções BCB 519, 520 e 521 para regulamentá-la. As Resoluções 519 e 520, sobre autorização e funcionamento, passaram a valer em 02/02/2026. Segundo o escritório Machado Meyer, a Resolução 520 exige a separação entre os recursos próprios da empresa e os de seus clientes, com contas individualizadas.

Este artigo não analisa se a Binance tem autorização no Brasil nem qual entidade atende os clientes brasileiros. Essas perguntas dependem de consulta às fontes do Banco Central e dos termos aceitos por cada cliente. O ponto prático é que a regra de segregação existe justamente para proteger os ativos dos clientes se algo acontece com a empresa, e que a situação de cada pessoa varia conforme o contrato e onde os ativos estão guardados.

O que fazer agora?

Primeiro, guarde as provas da sua situação: capturas de tela do saldo e do histórico de operações, extratos, e-mails e mensagens da Binance, comprovantes de depósito e dados de identificação da conta. Não apague conversas. Esses registros mostram o que você tinha na plataforma e o que foi pedido ou prometido.

Segundo, acompanhe apenas os canais oficiais da empresa para saber quando os saques voltam e como funciona a cobertura anunciada. Não pague taxa nem informe senha, código ou frase de recuperação a ninguém que ofereça ajuda. Terceiro, não tome decisões por impulso diante da queda dos preços: o mercado reagiu ao ataque, com o bitcoin em menor nível em seis semanas e liquidações de mais de US$ 1,5 bilhão em contratos futuros, segundo a imprensa.

Cada situação depende do contrato aceito, dos valores envolvidos e do que for apurado, e ninguém pode garantir resultado ou prazo. Ficou com dúvidas sobre a sua situação? Fale com a CVD.

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Perguntas frequentes

1. A Binance foi hackeada?

Segundo a própria Binance, sim. Em comunicado divulgado na noite de quinta-feira, 29/10/2026, a empresa informou um incidente de segurança em que ativos foram retirados de suas carteiras sem autorização. A investigação inicial apontou o notebook de um engenheiro como possível ponto de partida, e uma atualização posterior indicou outros pontos de invasão. A empresa descreve o ataque como complexo.

2. Quanto foi levado no ataque à Binance?

A Binance estima um impacto de cerca de US$ 6,3 bilhões, o equivalente a algo em torno de R$ 33 bilhões a R$ 34 bilhões. A TRM Labs, empresa de análise de blockchain, registrou cerca de US$ 6,36 bilhões movimentados. A própria Binance alertou que o número pode aumentar conforme o rastreamento avança. Antes, o maior roubo de criptomoedas registrado era o da Bybit, de cerca de US$ 1,5 bilhão, em fevereiro de 2025.

3. O meu dinheiro na Binance está seguro?

A Binance afirma que os fundos dos usuários estão seguros e que os usuários não arcarão com o impacto financeiro do incidente. A empresa diz que reservou mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir as perdas, entre recursos próprios e o fundo SAFU. Essas são declarações da empresa. Até a retomada dos saques e a publicação do relatório técnico e da prova de reservas atualizada, o que se tem é o compromisso anunciado.

4. O que é o fundo SAFU da Binance?

O SAFU (Secure Asset Fund for Users) é um fundo de emergência criado pela Binance em 2018 para proteger usuários em situações como esta. Segundo a imprensa, ele é mantido em bitcoin e tem em torno de US$ 1 bilhão a US$ 1,2 bilhão, valor menor que o total do ataque. A Binance diz que cobrirá a diferença com recursos próprios.

5. Quem foi o autor do ataque à Binance?

Não há atribuição oficial. A TRM Labs e a Chainalysis apontam, com “alta confiança”, a unidade TraderTraitor, ligada ao grupo Lazarus e à Coreia do Norte. A Binance não confirmou essa atribuição, e a Coreia do Norte costuma negar acusações desse tipo. Nenhuma autoridade confirmou publicamente o autor até a data de conferência deste artigo.

6. Quando os saques da Binance voltam?

A co-CEO Yi He afirmou, em atualização de 30/10/2026, que os saques devem ser retomados gradualmente em até 48 horas, ou seja, até domingo, 1º/11. Os depósitos já teriam voltado a funcionar. O prazo é uma projeção da empresa, e outras reportagens falam em 45 horas a partir da mesma atualização. Confira sempre o canal oficial da Binance.

7. Como me proteger de golpes depois do ataque à Binance?

Golpistas costumam aproveitar notícias assim para enviar falsos links de reembolso, perfis que imitam a empresa e mensagens pedindo senha, código de verificação ou frase de recuperação da carteira. Use apenas o aplicativo e o site oficiais, digitando o endereço, e não clique em links recebidos por mensagem. Desconfie de qualquer cobrança de taxa para liberar ou devolver valores. Guarde cópias das mensagens recebidas.

8. Quem responde pelo prejuízo do cliente quando uma corretora de criptomoedas é atacada?

Depende dos termos aceitos pelo cliente, de onde a empresa está estabelecida, de como os ativos são guardados e do que for apurado. No caso da Binance, a empresa anunciou que cobrirá todas as perdas. No Brasil, a regulamentação do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais exige, segundo escritório especializado, a separação entre os recursos da empresa e os dos clientes. A situação de cada pessoa exige análise individual, e nenhum resultado pode ser garantido.

9. O ataque à Binance afeta os brasileiros?

As fontes consultadas não detalham efeitos específicos sobre usuários ou operações no Brasil. A Binance Brasil compartilhou o comunicado global da empresa. Quem tem saldo na plataforma deve acompanhar os canais oficiais, guardar os comprovantes de saldo e de operações e esclarecer dúvidas sobre a própria situação.

Aviso legal: este conteúdo tem caráter informativo e educativo, não constitui aconselhamento jurídico individualizado nem promete resultado. Reflete os dados públicos disponíveis em 30/10/2026, em evolução. Publicado em conformidade com o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB.

Fontes consultadas

InvestNews, “Binance, maior exchange cripto do mundo, é alvo de ataque hacker de US$ 6,3 bilhões. Veja o que se sabe” (30/10/2026): https://investnews.com.br/investimentos/binance-maior-exchange-cripto-do-mundo-e-alvo-de-ataque-hacker-de-us-63-bilhoes-veja-o-que-se-sabe/.

Terra (Byte), “Hackers roubam R$ 33,8 bilhões da Binance no maior roubo de criptomoedas do mundo” (30/10/2026): https://www.terra.com.br/byte/hackers-roubam-r-338-bilhoes-da-binance-no-maior-roubo-de-criptomoedas-do-mundo,4dfcc90a677bb266ec8e00c0e7ebf131nls5gum4.html.

Al Jazeera, “Binance says $6.3bn stolen in biggest crypto heist in history: What we know” (30/10/2026): https://www.aljazeera.com/news/2026/10/30/binance-says-6-3bn-stolen-in-biggest-crypto-heist-in-history-what-we-know.

Correio Braziliense, “O que se sabe sobre o ataque hacker de US$ 6,3 bilhões contra a Binance” (30/10/2026): https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2026/10/7530732-o-que-se-sabe-sobre-o-ataque-hacker-de-uss-63-bilhoes-contra-a-binance.html.

Livecoins, “Binance tranquiliza usuários após hack e usará fundo SAFU para cobrir perdas” (30/10/2026): https://livecoins.com.br/binance-tranquiliza-usuarios-apos-hack-e-usara-fundo-safu-para-cobrir-perdas/.

Exame, “Caso Binance: corretora diz que US$ 3 bilhões do roubo foram congelados” (30/10/2026): https://exame.com/future-of-money/caso-binance-corretora-diz-que-us-3-bilhoes-do-roubo-foram-congelados/.

Machado Meyer, “BCB regulamenta o mercado de ativos virtuais no Brasil” (12/11/2025): https://www.machadomeyer.com.br/pt/inteligencia-juridica/publicacoes-ij/bancario-seguros-e-financeiro-ij/bcb-regulamenta-o-mercado-de-ativos-virtuais-no-brasil.

Dr. Jorge Calazans
Dr. Jorge Calazans

Jorge Calazans é advogado especializado na defesa de investidores vítimas de fraude, sócio do escritório Calazans e Vieira Dias Advogados e autor do livro A Arquitetura da Fraude em Investimentos — Método Estrutural: Anatomia, Identificação e Desmonte, publicado pela Editora JusPodivm.

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