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Caso Naskar: prisões, bloqueios e ações judiciais — o que cada etapa significa para o investidor

O colapso

 

Em 4 de maio de 2026, cerca de 3 mil investidores acordaram sem acesso ao aplicativo da Naskar Gestão de Ativos. Os rendimentos prometidos não foram pagos. Os sócios pararam de responder. A empresa, que operou por 13 anos prometendo retorno fixo de 2% ao mês, havia simplesmente desaparecido dos canais de comunicação.

 

O que parecia uma crise financeira isolada revelou, nas semanas seguintes, uma sequência de movimentos que as autoridades investigam como fraude estruturada e planejada.

 

O que as investigações já revelaram

 

Os documentos da Junta Comercial de São Paulo (JUCESP) mostram uma sequência relevante: em março de 2026, a Naskar mudou sua razão social de “Instituição de Pagamento” para “Gestão de Ativos”. Em abril, retirou as atividades financeiras do seu objeto social. No mesmo dia em que enviou aos clientes uma nota alegando “perda na base de dados”, dois dos três sócios abriram novas empresas, registradas pela mesma contabilidade.

 

A sede em São Paulo havia sido abandonada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, meses antes da interrupção dos pagamentos, embora o endereço continuasse registrado na Receita Federal.

 

O delegado responsável pelas investigações indicou que a interrupção dos pagamentos pode ter sido planejada com cerca de um ano de antecedência.

 

As prisões: o que significam juridicamente

 

Em 22 de julho de 2026, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu em São Paulo três ex-sócios da Naskar: Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato. As prisões foram mantidas após audiência de custódia no dia seguinte.

 

Na abordagem, foram apreendidos R$ 150 mil em espécie, valores em dólar e euro, veículos de luxo e documentos que seguem em análise.

 

Do ponto de vista jurídico, prisões preventivas em casos de fraude financeira cumprem três funções: garantem a instrução criminal, impedem a fuga dos investigados e sinalizam ao Judiciário a gravidade do caso. Elas não significam condenação e não garantem, por si só, a recuperação dos valores.

 

Os bloqueios: o que foi arrestado até agora

 

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou bloqueios via Sisbajud sobre as contas da Naskar, da 7Trust Finance, da Next Holding e dos três sócios. Sete matrículas imobiliárias foram arrestadas em cartórios de São Paulo, Carapicuíba e Jundiaí. R$ 75 milhões em bens ligados ao empresário Douglas Azara também foram bloqueados.

 

É importante compreender o que o arresto representa na prática: ele imobiliza o patrimônio para preservar a possibilidade de ressarcimento futuro. Não garante que o valor bloqueado será suficiente para todos os credores, nem que será integralmente convertido em pagamento.

 

A camada Douglas Azara: novos crimes e fuga

 

O empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, 26 anos, anunciou em maio a compra da Naskar por R$ 1,2 bilhão pela Azara Capital, gestora que se apresentava como americana mas não possui registro na SEC nem na FINRA. Os pagamentos prometidos aos investidores não ocorreram.

 

Douglas transferiu o controle da Naskar para sua avó, Célia de Fátima Ferreira, 77 anos, diagnosticada com Alzheimer e sem condições de responder por si. Posteriormente, a Polícia Civil de Minas Gerais o apontou como mentor de ataque cibernético que desviou R$ 75 milhões da Zema Financeira.

 

Em 1º de julho, a Justiça de Minas Gerais decretou sua prisão preventiva. Em meados de julho, ele viajou para Dubai. Segue no exterior com mandado de prisão em aberto.

 

Além disso, Douglas e Célia figuram como réus em ação cível movida pela locadora Unidas por suposto desvio de 20 caminhões zero quilômetro, com prejuízo total de R$ 5,8 milhões.

 

O que os advogados dos investidores sustentam

 

A tese predominante nas ações já ajuizadas descreve o esquema como pirâmide financeira estruturada em três etapas: captação via Naskar, desvio patrimonial para a 7Trust Finance e blindagem via Next Holding e holdings familiares. Essa tese foi acolhida em cognição sumária por magistrados paulistas.

 

O que o investidor precisa saber agora

 

Alguns pontos merecem atenção prática neste momento:

 

A existência de bloqueios judiciais em curso não garante ressarcimento a todos os credores. Quem age primeiro tem relevância processual.

 

A possibilidade de recuperação judicial pelos sócios, se concretizada, pode suspender ações individuais de execução, tornando as medidas cautelares anteriores ainda mais importantes.

 

A preservação de documentos é essencial: contratos, comprovantes de aporte, extratos do aplicativo, prints de comunicação com a empresa ou seus representantes e histórico de pagamentos recebidos compõem o conjunto de evidências necessário para qualquer avaliação jurídica do caso.

 

O caso envolve múltiplas jurisdições, diferentes réus e frentes simultâneas de investigação. Cada situação individual pode ter contornos distintos dependendo do valor investido, da data de aporte e dos documentos disponíveis.

 

Avalie sua situação

 

O escritório Calazans e Vieira Dias acompanha o caso Naskar desde o início das investigações. Se você foi afetado e quer entender as alternativas disponíveis para a sua situação específica, entre em contato para uma avaliação inicial.

Dr. Jorge Calazans

Dr. Jorge Calazans

Reconhecido como uma das principais autoridades em fraude financeira no Brasil, Jorge Calazans e o escritório Calazans e Vieira Dias Advogados se destacam por sua defesa intransigente dos direitos dos investidores e na recuperação de ativos em casos complexos de fraudes, incluindo pirâmides financeiras e esquemas Ponzi.

Perguntas frequentes

Tire suas principais dúvidas sobre nossa atuação na defesa de vítimas de fraudes financeiras.

Atuamos em casos envolvendo pirâmides financeiras, falsas corretoras, esquemas de investimento, fraudes com criptoativos, bloqueio de saques, intermediação irregular e outras operações que possam ter causado prejuízo a investidores.

Cada caso precisa ser analisado individualmente. A atuação jurídica pode envolver identificação dos responsáveis, preservação de provas, rastreamento patrimonial e adoção das medidas judiciais cabíveis, sem qualquer promessa de resultado.

Contratos, comprovantes de transferência, extratos, conversas por WhatsApp, e-mails, prints da plataforma, materiais de divulgação e qualquer documento que demonstre o investimento realizado e a comunicação com os envolvidos.

Sim. O atendimento pode ser realizado de forma online, permitindo a análise do caso e o acompanhamento jurídico de vítimas localizadas em diferentes estados do país.

O prazo pode variar conforme a complexidade do caso, a quantidade de envolvidos, a existência de bens localizáveis, a fase processual e a estratégia jurídica adotada. Por isso, a análise técnica inicial é fundamental.

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