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Market 10 Net: Investidores Relatam Bloqueio de Saques, Coação para Novos Aportes e Zeramento de Saldo em Plataforma sem Autorização da CVM

Investidores relatam bloqueio de saques, exigência de novos aportes e zeramento de saldo na plataforma Market 10 Net, operada sem autorização da CVM e do Banco Central. A empresa utilizou deepfake de figuras públicas e engenharia social para captar vítimas. Entenda os alertas jurídicos do caso.

Investidores que direcionaram recursos à Market 10 Net — operada pela Market 10 Comercial LTDA, empresa registrada no Brasil com atividade declarada de locação de automóveis e capital social de apenas R$ 1.000,00 — relatam uma sequência de eventos que o relatório investigativo do CVD classifica como esquema de fraude financeira transnacional: entrada na plataforma com aportes iniciais baixos, entre US$ 200 e US$ 250, simulação de lucros fictícios para induzir novos depósitos cada vez maiores, e depois o bloqueio sistemático dos saques com exigência de taxas falsas atribuídas ao Banco Central para liberação dos valores. Ao fim, o saldo era zerado instantaneamente e a comunicação com os operadores encerrada. A movimentação financeira fraudulenta identificada supera US$ 100.000,00, com casos individuais de perdas que chegam a US$ 70.000,00.

 

O primeiro elemento que exige atenção é a estrutura formal da operação. A empresa brasileira foi baixada em janeiro de 2025 por liquidação voluntária, mas a plataforma market10.net continuou operando ativamente em 2026, captando novos investidores por meio de anúncios que utilizavam deepfake do empresário Luciano Hang — manipulação digital de áudio e imagem para simular endosso de figuras públicas reconhecidas. A empresa não possui autorização da Comissão de Valores Mobiliários nem do Banco Central do Brasil para intermediar valores mobiliários, atuar no mercado de câmbio ou oferecer qualquer produto de investimento ao público. Operar dessa forma não é apenas uma irregularidade administrativa: é o ponto de partida de uma cadeia de responsabilidades penais e civis que o direito brasileiro já tem instrumentos para enfrentar.

 

Há um dado estrutural que distingue este caso e agrava o cenário jurídico. A operação foi conduzida com engenharia social avançada e coação direta, especialmente contra investidores idosos. Em ao menos um caso documentado, os operadores — identificados apenas por prenomes como André, José, Zau e Tatiane — induziram um casal a esgotar limites de crédito, contrair empréstimos bancários e pedir dinheiro a familiares, tudo sob a promessa de recuperação de capital por meio de uma suposta operação de zeroing. Esse padrão de pressão psicológica sistemática sobre pessoas vulneráveis não é irrelevante do ponto de vista legal: o Estatuto do Idoso prevê agravamento de pena para crimes praticados contra pessoas com 60 anos ou mais, e a configuração de extorsão e associação criminosa está entre os indícios apontados na análise investigativa.

 

O padrão relatado pelos investidores prejudicados seguiu etapas bem definidas: captação por anúncios digitais com uso de inteligência artificial e imagem de figuras públicas, entrada com aporte reduzido, exibição de lucros fictícios na plataforma para estimular novos depósitos, bloqueio do saque quando a retirada era solicitada, exigência de taxas sucessivas com justificativas que variavam entre obrigações governamentais e conflitos geopolíticos, e por fim o zeramento do saldo e o encerramento da operação. A empresa utilizava ainda os gateways de pagamento Morim e Geral Cashing, com os valores destinados à instituição financeira Delcred — rastro que, quando devidamente documentado por comprovantes de transferência, prints da plataforma e registros das comunicações recebidas, sustenta a avaliação jurídica e define as alternativas disponíveis para cada investidor.

 

 

Diante desse contexto, é fundamental que investidores que foram prejudicados busquem orientação jurídica de um advogado de sua confiança, a fim de compreender seus direitos e avaliar, de forma individualizada, quais medidas podem ser adotadas a partir do cenário apresentado. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas com cautela, especialmente em situações que envolvem diferentes etapas processuais e decisões que podem impactar diretamente o andamento e as possibilidades do caso, exigindo acompanhamento técnico para definição dos próximos passos com segurança e responsabilidade.

Dr. Jorge Calazans

Dr. Jorge Calazans

Reconhecido como uma das principais autoridades em fraude financeira no Brasil, Jorge Calazans e o escritório Calazans e Vieira Dias Advogados se destacam por sua defesa intransigente dos direitos dos investidores e na recuperação de ativos em casos complexos de fraudes, incluindo pirâmides financeiras e esquemas Ponzi.

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